Eurico Lara, O Craque Imortal

      Não vou escrever sobre os jogadores que não forem eleitos os melhores jogadores em sua posição. Mas certamente, este goleiro merece uma exceção. Não somente por ter ficado apenas 4 votos atrás de Danrlei, mas por todas as lendas e histórias que acercam o nome dele.

     Eurico Lara Fonseca, o Lara, nascido em 1897, foi um dos maiores goleiros da história do nosso tricolor. São tantas as histórias e os feitos, que Lara não pode ser mais considerado como um grande jogador ou ídolo, mas sim, UMA LENDA.
   
     Lara começou a jogar no time do exército de Uruguaiana. Na época, diziam que existia um goleiro que quando jogava, seu time não perdia. A notícia acabou chegando a dirigentes do tricolor, que enviaram olheiros para observar o atleta.
     Na época, o jogador teve que ser deslocado do regimento de Uruguaiana para Porto Alegre, para poder jogar no Grêmio.   
     Uma das lendas que o cercam, conta que, no primeiro treino, ao entregarem a camisa de goleiro, ele perguntou para o treinador: "Como assim? Por que recebi essa camisa? Não sou goleiro". Todos ficaram surpresos. Ele explicou que como não havia mais ninguém para ir no gol em Uruguaiana, ele havia sido requisitado para jogar como goleiro, mas não atuava na função.
     Outra lenda seria que Lara, em certa partida, quebrou um dos braços, mas não queria sair. E mesmo assim defendeu todas as bolas até o fim do jogo.
     A fama de Lara, foi construída não somente por lendas, mas por grandes jogos e atuações. Um dos jogos mais famosos foi no confronto entre Gaúchos 2 x 4 Paulistas. Os donos da casa venceram, mas no final, o goleiro gaúcho foi ovacionado por uma multidão que invadiu o gramado para cumprimentá-lo. Afinal, não era qualquer um que conseguia defender mais de 20 chutes desferidos pelo atacante Friendereich, o maior nome do futebol brasileiro naquela época.
     Mas talvez uma das lendas mais conhecidas e marcantes, diz que Eurico Lara teria morrido em pleno "Grenal Farroupilha", após defender um pênalti chutado pelo seu próprio irmão. Na verdade, ele jogou esta partida com tuberculose, saiu no intervalo de ambulância direto para o hospital e morreu dois meses depois. Não houve pênalti na partida, e nenhum irmão de Lara jamais jogou no rival Internacional.
     Foi uma de suas maiores atuações com a camisa do Grêmio perante uma torcida maravilhada e sabedora do esforço realizado pelo atleta para poder participar da partida.
     No dia 6 de novembro, dois meses depois do Gre-nal Farroupilha, o herói gremista morria. Uma multidão foi às ruas para chorar a perda de um dos maiores desportistas do país. O enterro de Lara parou Porto Alegre e o atleta entrou para sempre na história do Grêmio e no coração de quem teve o prazer de vê-lo atuar.
     É o único atleta do Grêmio que teve seu nome citado no Hino composto por Lupicínio Rodrigues.
     Jogou futebol pelo amor que sentia pelo Grêmio e até hoje honramos o seu nome e sua história.
     "Lara, o Craque Imortal/ Soube o seu nome elevar/ Hoje, com o mesmo ideal/ Nós saberemos te honrar."



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